segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Os LGBTs e a objetividade científica

No IV Manifesto Rosacruz, intitulado Positio Manifestatis Rosae Crucis, que pode ser conferido no link: https://www.amorc.org.br/wp-content/uploads/2015/05/manifesto-2012.pdf, há uma ideia que gostaria de discutir com o leitor.

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Para quem não conhece, este manifesto é uma série de reflexões que indica a posição oficial da Ordem Rosacruz AMORC sobre os problemas atuais. E um destes problemas é a questão da ciência. No livreto encontramos a seguinte crítica ao conhecimento científico:

"Quanto à ciência, consideramos que ela chegou a uma fase particularmente crítica. É verdade que não se pode negar que ela evoluiu muito e permitiu à Humanidade realizar progressos consideráveis. Sem ela, os homens ainda estariam na idade da pedra. Mas, enquanto os gregos haviam elaborado uma concepção qualitativa da pesquisa científica, o século XVII provocou um verdadeiro sismo, instaurando a supremacia do quantitativo, o que não deixa de guardar relação com a evolução da economia. O mecanicismo, o racionalismo, o positivismo etc., fizeram da consciência e da matéria dois campos bem distintos e reduziram todo fenômeno a uma entidade mensurável e desprovida de subjetividade. O como eliminou o porquê."

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Gostaria de discutir com o leitor uma parte específica do texto: a ideia de que a ciência está desprovida de subjetividade e isso, de certa forma, eliminou o "porquê" das coisas. 

O debate sobre o papel da subjetividade na ciência é muito antigo. Há de se ressaltar que a nossa ciência teve como uma de suas bases o empirismo e, principalmente, o positivismo que, dentre outras coisas, afirma que os cientistas devem ser neutros e olha para os fenômenos em terceira pessoa.

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Já há algum tempo essa ideia de neutralidade científica vem sendo questionada, pois não existe sujeito sem objeto. Mesmo a mais pretensamente neutra análise científica implica algumas posturas subjetivas que muitas vezes são pouco percebidas. 

Apesar de muito criticada, a objetividade científica tem uma razão de ser. Ela não surgiu, portanto, como um capricho de cientistas que se acham melhores. Na verdade eu acho até que a objetividade na ciência é um dos seus baluartes. 

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A palavra subjetividade provém de "sujeito". Ou seja, se você analise um fenômeno natural ou social com base em subjetividade, uma vez que cada indivíduo tem uma subjetividade diferente do outro, como fica? Se cada um der o seu próprio porquê das coisas, como faz?

Há de se ressaltar que a subjetividade nunca foi eliminada plenamente da ciência, mas temos que perceber que sua influência deve ser limitada.

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Para não parecer muito abstrato, vou dar um exemplo muito simples. Três médicos analisam um paciente com câncer. O primeiro diz que o câncer surgiu porque o paciente leva uma vida muito sedentária. O segundo diz que é porque come muita gordura. O terceiro diz que é porque a pessoa carrega consigo pensamentos autodestrutivos, basicamente culpando a própria pessoa pelo câncer.

A quem a pessoa vai dar ouvidos? Será mesmo que cabe um "porquê" na busca científica? 

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Ainda que individualmente possamos construir nossos porquês, acho muito difícil construir um consenso de subjetividades e porquês. A pesquisa científica, portanto, deve ser a mais objetiva possível. 

Do ponto de vista LGBT, a ideia que devemos descobrir o "porquê" das coisas e trazer subjetividade para ciência, me dá arrepios... Imaginem só o que não diriam por aí sobre a gente com base em subjetividades individuais e envernizando isso com ares de "discurso científico".

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Certa vez vi um artigo onde um "professor universitário" na Nigéria PROVOU em um artigo científico que a homossexualidade era antinatural usando o exemplo de imãs, onde o positivo atrai o negativo. Isso sem contar as toneladas de artigos científicos que nos reduzem a aberrações sexuais ou a desvios... Imaginem só cientistas explicando o "porquê" da diversidade sexual com base em influência de satanás, carma da outra encarnação, ausência de pai e mãe super protetora....

Assim, embora eu concorde em parte com a crítica que o manifesto rosacruz faz sobre a ciência, creio que as coisas têm uma razão de ser. A objetividade na ciência cumpre um papel importante que impede que o conhecimento científico acompanhe as neuroses e fantasias das subjetividades de cada um.

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Pessoalmente acredito que uma análise objetiva nunca será "A verdade", e que o universo é permeado sim pela subjetividade. No entanto, que esse subjetivo fique restrito às instituições que lhe são próprias e não interfiram na ciência.

O que vocês pensam sobre isso?

Amor e Paz